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COMUNHÃO COM O ESPÍRITO SANTO – POR QUÊ?

Paulo escreveu, em 2 Coríntios 13:13, uma bênção aos crentes de Corinto: "A GRAÇA DO SENHOR JESUS CRISTO, E O AMOR DE DEUS, E A COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO SEJAM COM TODOS VÓS."
Que sentimentos profundos essa bênção desperta dentro de mim.  
Acredito, porém, que isso não ocorre com todos.  As inúmeras bênçãos que essas palavras podem conferir estão desaparecendo dos corações hoje.
Deixe-me descrever quais são estas bênçãos.
A GRAÇA DE JESUS CRISTO è O significado original da palavra grega graça era "o máximo em beleza". Os gregos desfrutavam a busca da beleza através da filosofia e dos esportes, da poesia e do drama, da escultura e da arquitetura. E, é claro, da beleza de sua terra — montanhas, rios e litoral — tudo que os cercavam.
Quando a beleza de algo produzia gozo em quem o via ou escutava, os gregos diziam que estava cheio de graça.
Por fim, este significado adquiriu sentido mais amplo a fim de incluir não só a beleza das coisas, mas também de obras, ações, pensamentos, eloqüência e até mesmo a humanidade, tudo o que pudesse ser considerado cheio de graça.
O segundo significado de graça era "favor", boa vontade gerada do amor incondicional, transbordante, sem nenhuma expectativa de recompensa ou pagamento.
O terceiro significado de graça relacionava-se com uma obra digna de elogio, que exibia virtudes que excedem de longe o comum. Em sua bênção, o apóstolo Paulo deve ter sentido alegria indescritível, conhecendo o incondicional perdão de pecados e as muitas bênçãos da salvação — cheia de beleza ou graça.  
O AMOR DE DEUS è De que modo deveríamos aceitar a seguinte bênção: "o amor de Deus. . . seja com todos vós"? Será que nos tornamos tão insensíveis ao ponto de ouvir falar do amor de Deus sem nos comovermos ou sem que nosso coração se constranja? Quase todos os cristãos hoje podem citar João 3:16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira... Entretanto, apenas as letras permanecem, tendo caído no esquecimento a vida que nelas há.
Há diversos tipos de amor: o paterno, pelos filhos de nossa própria carne e sangue; o amor que anseia pelo sexo oposto; e o amor fraternal que nos dá alegria quando gozamos do companheirismo de amigos queridos. Mas o amor humano não pode, de maneira alguma, comparar-se com o amor de Deus. O amor paterno limita-se aos filhos. O amor entre os sexos limita-se ao casal. Até mesmo o amor entre amigos falhará se uma das partes nunca receber nada em retribuição pelo cuidado e interesse. O amor de Deus, porém, é diferente.
Na língua grega, amor divino refere-se a um tipo de amor que se sacrifica totalmente pelo objeto de seu amor, reconhecendo seu precioso valor. Por exemplo, o homem e a mulher traíram a Deus e caíram em profundo pecado, resultando numa vida abominável, que em última instância levou à destruição eterna. A despeito dessa traição, Deus amorosamente sacrificou-se no Calvário para salvar a raça humana. Por quê? Porque cada alma tem um valor infinito para ele. Isto é amor divino! Embora se encontre decaído pelo pecado, o ser humano possui a imagem de Deus, e pode tornar-se criatura nobre se receber a graça da redenção.
Deus é amor, e seu amor é amor de verdade. Ele amou a tal ponto os pecadores deste mundo que não poupou nem mesmo o seu próprio Filho, mas sacrificou-o por nossos pecados. Não é acaso amor verdadeiro este que ele nos tem mostrado, apesar de termos caído tanto por causa do pecado? É provável que Paulo tenha sido movido até às lágrimas quando escreveu acerca do amor de Deus, e como nos tornamos tão frios!
Como pode nossa fé ser restaurada de sorte que possamos ser profundamente movidos pela graça de Jesus Cristo e pelo amor de Deus? Onde está o caminho da restauração? Por certo, existe um caminho para a plena restauração. Há uma resposta para o clamor de nosso espírito, e ela se encontra na comunhão com o Espírito Santo. Este derrama toda graça e amor em nosso espírito mediante sua comunhão conosco.
A COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO
Comunhão significa "comunicar-se com alguém, viajar juntos, transportar-se junto".
O esplêndido desenvolvimento dos transportes tem feito do mundo moderno uma grande "aldeia global".
Por meio de rápido e conveniente sistema de transporte, pessoas de todo o mundo compartilham o que é necessário para satisfazer suas necessidades culturais, políticas, econômicas, militares e científicas. Não é exagero dizer que podemos medir uma civilização pelo desenvolvimento de seu sistema de transporte.
Suponhamos que este global sistema de transporte fosse, de um momento para outro, levado a uma paralisação. O mundo inteiro se tornaria um verdadeiro inferno. Quase todo tipo de trabalho terminaria por paralisar-se. As cidades sofreriam fome e frio, quando o alimento e os estoques de combustível tivessem acabado. As áreas rurais e as fábricas se veriam inundadas de montanhas de produtos agrícolas e mercadorias em estado de decomposição, visto que os canais de comercialização estariam obstruídos. O transporte não é uma comodidade que se possa dispensar. Ele é necessário ao bem-estar humano.
De igual modo a comunhão do Espírito Santo é um viajar diário e constante no companheirismo dele — é essencial ao nosso bem-estar espiritual.
A medida de nossa fé está na proporção direta de nossa comunhão com o Espírito Santo. Mediante esta comunhão, recebemos bênçãos espirituais e lhe falamos de nossos sinceros desejos.
Embora a graça de Jesus Cristo e o amor de Deus sejam imensurávelmente abundantes no céu, eles são inúteis para nós se não nos alcançarem.
De modo semelhante, embora tenhamos o coração cheio de bons desejos, se o Consolador não nos ajudar a comungar com Deus pela oração, não podemos orar como convém.
A Bíblia é clara na confirmação deste fato em 2 Tessalonicenses 3:5à "Ora, o Senhor encaminhe os vossos corações ao amor de Deus e à constância de Cristo".
Neste versículo, "o Senhor" refere-se à Terceira Pessoa da Trindade, visto ser ela quem nos conduz ao amor de Deus e à constância de Cristo, ou seja, a esperar com paciência por Cristo.
Por mais que sejam abundantes a graça de Jesus Cristo e o amor de Deus, se o Espírito Santo não encaminhar nosso coração a tal graça e amor, nossa fé será expressa por palavras vazias.
Se o Consolador não nos ajudar a comungar com Deus, nossa oração será como a dos fariseus, carente de vida por completo.
A Bíblia ensina com clareza que o Espírito nos assiste em nossa oração Romanos 8:26à "Da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas. Não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis". O versículo 20 da carta de Judas também ressalta o lugar do Espírito em nossa vida de oração à "Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo."
A palavra comunhão, usada por Paulo em sua bênção aos corintos, "a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós", tem implicações profundas. A palavra grega tem dois significados importantes.
COMPANHEIRISMO
O primeiro significado refere-se ao companheirismo na base de ÍNTIMA AMIZADE. Sem companheirismo com o Espírito Santo não pode haver vida espiritual, não há fé com poder e vitória. A igreja primitiva era abundante em oração fervorosa, em paixão transbordante, em rica vitalidade e ação de graças, jorrava como uma fonte o resultado de seu companheirismo com o Consolador.
Por que os cristãos atuais aceitam meras formalidades exteriores de religião, cerimônias de adoração áridas, ou vêem a igreja como um lugar de encontros sociais? Este vazio tem deixado os jovens cansados do cristianismo e de sua forma de piedade. Eles se desiludiram — porque a igreja perdeu sua vida espiritual.

Qual a solução do problema que ele destaca? Fervoroso companheirismo com o Espírito Santo vivo. Sem ele, a igreja esfria-se dia após dia; a adoração passa a ser mecânica. A fé perde a paixão ardente que dá profundidade a nossa personalidade toda. Este tipo de fé é como um fogão sem fogo.
(Atos 19:2)Sabendo isto, a primeira pergunta que o apóstolo Paulo fez a alguns efésios que pareciam cansados e abatidos foi: "Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?". Quando Jesus viu que seus discípulos estavam tristes e desesperados, ele prometeu que o Espírito viria e permaneceria em seus espíritos: (João 14:16,18)"Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que esteja convosco para sempre... Não vos deixarei órfãos; virei para vós".
Podemos ter esse consolo; mas com maior freqüênciado que acreditamos, os crentes hoje nem mesmo têm ouvido falar do Espírito Santo.
Como podemos desfrutar o companheirismo do Espírito Santo?
Primeiro, reconhecendo que ele está presente em sua igreja e o recebendo de bom grado, desejando sinceramente sua orientação e dependendo dele a cada instante. O amor de Deus e a graça de Jesus só podem alcançar nosso espírito mediante esse companheirismo com o Espírito Santo.
PARCERIA NA EVANGELIZAÇÃO
O segundo significado da palavra comunhão é "trabalhar em parceria", (Lucas 5:10), e "conformar-se com" veja (Filipenses 3:10) — trabalhar juntos como parceiros no mesmo propósito e compartilhar alegria, tristeza, vitória e provações.
O Espírito Santo foi enviado à terra com a finalidade de trabalhar em parceria com os crentes, para vivificar espíritos mortos dando testemunho da graça de Jesus Cristo. Antes de deixar este mundo, Jesus disse aos seus discípulos: (João 15:26-27)."Quando vier o Consola-dor, que eu da parte do Pai vos enviarei, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estais comigo desde o princípio"
Podemos entender, daí, que a grande missão de pregar o evangelho foi dada primeiro ao Espírito Santo e depois aos santos que creram no Senhor. Mas Jesus enfatiza aqui que a obra de evangelização deveria ser levada a cabo como uma ação conjunta entre o Espírito Santo e a humanidade — com o Espírito Santo participando neste trabalho como principal obreiro. Podemos concluir que o motivo todo de a evangelização hoje progredir tão pouco, é porque a igreja regrediu na obra de ganhar almas, e por que ela tem estado à beira da falência, pois o companheirismo com o Espírito Santo foi rompido.
Nos dias atuais, as pessoas não reconhecem o Espírito Santo nem o recebem de bom grado. Uma vez que não dependem dele, terminam em fracasso, tentando com esforço próprio realizar a obra de Deus.
Este trágico fracasso foi ressaltado claramente no livro de Apocalipse 3:20 "Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo"
Se essas palavras tivessem sido endereçadas ao mundo incrédulo, não causariam surpresa. Mas foram ditas à igreja de Laodicéia, aos crentes no tempo do fim do mundo. Que horrível revelação!
Pense nisso. Nosso Senhor disse que estaria conosco sempre mediante o Espírito Santo, entretanto a igreja tenta fazer a obra de Deus mediante adoração centrada no homem, afastando o Espírito Santo e deixando-o do lado de fora!
Não era assim na igreja primitiva. Os santos do primeiro século reconheciam que a evangelização devia ser feita do princípio ao fim acompanhados com o Espírito Santo. Quando os apóstolos pregadores foram levados perante o conselho judaico em Jerusalém a fim de serem examinados, Pedro respondeu nestes termos às perguntas do conselho: (Atos 5:30-32) "O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Nós somos testemunhas destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem"
Pedro confirmou ali que a obra de evangelização dos apóstolos era executada de parceria com o Espírito Santo. Jesus não começou a pregar o reino do céu senão depois de haver recebido a plenitude do Espírito Santo. Só então ele levou a cabo seu ministério em três anos e meio com grande poder e autoridade. Reconhecida esta verdade, como ousamos pensar que podemos realizar a obra de Deus tão — somente com poder e sabedoria humanos?

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